
Extensão livre do ContraCultura

No mundo do streaming, qualquer um se projecta no traje; não se vê cor, género nem sexualidade. E o traje do herói da criança é o sítio ideal para ensaiar a revolução sexual. Maria Helena Costa discorda.![]()

O acordo entre o Reino Unido e a França para conter as travessias ilegais do Canal da Mancha está a falhar, com as taxas de intercepção a descerem, em vez de subirem em função do dinheiro que o governo britânico pagou para que o controlo fosse mais eficaz.
De cada vez que vai à retrete, Donald Trump tem uma ideia fabulástica. Mas esta é por demais genial.
President Trump Announces $5K Dividend for All Americans if Republicans Win House & Senate - 09/09/26 pic.twitter.com/1KGejqjg5W
— RSBN 🇺🇸 (@RSBNetwork) September 10, 2026
Muito para além da questão ética, que passará sempre ao lado da figurinha (sendo os americanos, americanos, o precedente que aqui se abre pode levar à recorrente comercialização da democracia e suborno do eleitorado), são 5 mil dólares a multiplicar por 349 milhões de infelizes. Dá para cima de 1.5 triliões de dólares. Que vão ser 'impressos' de um dia para o outro (gerados digitalmente, quero eu dizer) e despejados no mercado. Num país que vive um sério problema inflaccionário e que já tem 40 triliões de dólares de dívida pública.
Para além do comércio de votos, Trump adicionou ao cabaz eleitoral a promessa de que a guerra no Irão, que ele já ganhou desde Fevereiro deste ano para aí umas quinze vezes, vai ser afinal ganha, de certeza absoluta e sem margem para contestação, depois das intercalares.
Por acaso até se trata de uma guerra que na verdade os EUA já perderam. Inventada por um candidato presidencial que tinha prometido acabar de vez com as guerras eternas.
Trust him, bro! pic.twitter.com/h045RjlSA3
— The Babylon Bibi (@TheBabylonBibi) September 10, 2026
Conseguiremos dominar a inteligência artificial e o voto digital antes que sejam manipulados pelos poderes instituídos? O futuro da democracia e a credibilidade do Estado dependem de recuperarmos a tecnologia para a razão e a participação inclusiva. A crónica de António Justo.
Before AI kills us, can we at least have a few years with the sex bots who do laundry?
— Alice (@AliceFromQueens) September 9, 2026
This is the greatest spectator sport of all time. pic.twitter.com/SQFWqPQ2ja
— Simon Harley (@simonharley) September 9, 2026

Jacob Coxon é um engenheiro especializado em investigação e pré-treino de modelos de inteligência artificial, a fase inicial em que um modelo de IA aprende padrões gerais, gramática, conceitos e o funcionamento básico do mundo a partir de um volume massivo de dados não sistematizados. Trabalhou nesta área em duas das mais importantes empresas da indústria: a OpenAI e a Anthropic.
Ontem, publicou no X um thread que vale a pena traduzir e partilhar, porque constitui um sério alerta sobre a forma como estas empresas estão a sacrificar a segurança dos seus sistemas (e, segundo este engenheiro, a segurança da humanidade) em nome de valores nenhuns para além do típico niilismo de Silicon Valley e da também característica ganância das tecnológicas norte-americanas.
Eis a advertência de Coxon:
Despedi-me hoje da Anthropic. Passei os últimos três anos a fazer investigação de pré-formação tanto na OpenAI como na Anthropic. Nenhuma das duas empresas está a agir com responsabilidade. Estamos a correr directamente para a superinteligência auto-aperfeiçoável e a apostar nisso as nossas vidas.
Não subestimem o poder desta tecnologia. Em breve, teremos sistemas sobre-humanos capazes de piratear qualquer coisa, revolucionar qualquer área da noite para o dia e adquirir poder e recursos reais. Todos nós auxiliamos a progressão em cada um destes domínios, e a progressão não está a diminuir.
As pessoas que estão a construir IA acreditam sinceramente que esta nos poderá matar até ao final da década. Isto não é uma jogada de marketing. Na verdade, muitos executivos e investigadores seniores tendem a utilizar uma linguagem mais sensata na imprensa, mas ouço essas mesmas pessoas a expressarem medo em conversas privadas. Nenhuma outra actividade humana representa este nível de perigo.
Uma resposta comum é: "Se realmente acreditam nisso, porque é que ainda o estão a desenvolver?" Na OpenAI, muitos não interiorizaram profundamente as implicações para a civilização. Na Anthropic, as implicações são bem compreendidas, mas estão numa corrida para lá chegar primeiro — acreditam que mais ninguém vai agir de forma responsável, por isso precisam de o fazer sozinhos, apesar do risco.
Aceitar esta corrida e entrar na "linha da frente" é uma aposta arrogante que não deveria ser feita no laboratório de uma empresa privada. Tentar acelerar o alinhamento exige uma confiança extraordinária de que não existem melhores trajectórias disponíveis.
Estou optimista quanto ao potencial de progresso. Alertas como o ataque ao Hugging Face tornaram os acordos de ritmo entre laboratórios dos EUA mais viáveis. Não creio que estejamos no bom caminho para evitar uma corrida global, o que pode exigir acções dispendiosas, como uma concessão temporária para melhorar as capacidades dos modelos.
Se é investigador de laboratório, peço-lhe que considere como serão os próximos anos. Quer iniciar uma corrida de aprendizagem por reforço de sistemas superinteligentes sem uma compreensão rigorosa da sua mente? Deverá conformar-se porque "vai acontecer de qualquer maneira" ou aproveitar este momento para exigir condições diferentes?
I resigned from Anthropic today. I spent the last three years doing pretraining research at both OpenAI and Anthropic. Neither company is acting responsibly. They are racing straight to self-improving superintelligence and gambling with our lives. More thoughts below.
— Jacob Coxon (@hilbertspaess) September 9, 2026
The people building AI earnestly believe that it could kill us all by the end of the decade. This is not a marketing stunt. If anything, many executives and senior researchers will couch their phrasing in the press to sound sensible - but I hear the same people express fear…
— Jacob Coxon (@hilbertspaess) September 9, 2026
Accepting this race and entering the “endgame” is a hubristic gamble that should not be launched from a private company’s Slack. Attempting to speedrun alignment should require extraordinary confidence that there are no better trajectories available.
— Jacob Coxon (@hilbertspaess) September 9, 2026
If you are a lab researcher, I urge you to consider what the next few years will actually feel like. Do you want to kick off a superintelligent RL run without a rigorous understanding of its mind? Should you put your head down because “it’s happening anyway” - or take this moment…
— Jacob Coxon (@hilbertspaess) September 9, 2026
Jacob Coxon é muito claro nesta mensagem: as tecnologias de IA estão a pôr em perigo a espécie humana e as tecnológicas por trás do desenvolvimento destes sistemas têm consciência disso, pelo menos ao nível das lideranças.
Só em Agosto deste ano, ocorreram dois incidentes graves nas duas empresas em que Coxon trabalhou e que o ContraCultura documentou: A OpenAI revelou que vários dos seus modelos de IA, incluindo o GPT-5.6 Sol e, enigmaticamente, um “modelo ainda mais capaz em fase de pré-lançamento”, escaparam do seu ambiente de investigação, obtiveram acesso à Internet e invadiram uma base de dados para encontrar as respostas aos testes de cibersegurança.
Os modelos de IA da Anthropic, incluindo o Claude, invadiram os sistemas de três organizações durante os testes, levantando sérias preocupações sobre a segurança da IA e a eficácia das medidas de contenção implementadas laboratorialmente pelas tecnológicas de Silicon Valley.
E este engenheiro não é de todo o único a abandonar a sua actividade profissional para alertar o público sobre os perigos da inteligência artificial.
Em 2023, Geoffrey Hinton, um cientista da Google, apelidado de "Padrinho" da inteligência artificial, demitiu-se da empresa, para poder alertar o mundo sobre os perigos que a tecnologia apresenta, numa altura em que grandes empresas concorrem ferozmente para dominar este mercado.
Nesse mesmo ano, 350 líderes do sector assinaram uma declaração em que advertiam que a inteligência artificial pode causar a extinção da humanidade.
Em 2024, Roman Yampolskiy, Professor de computação da Universidade Louisville e perito em cibersegurança afirmou que a probabilidade de IA acabar com a humanidade é de 99,9%.
Em 2025, um conjunto surpreendentemente idiossincrático de figuras religiosas, dos media e da tecnologia assinaram uma carta pedindo a "proibição" da corrida para construir a superinteligência artificial, dadas as ameaças que estes sistemas representam para a civilização e a humanidade.
Em Maio deste ano, um antigo executivo sénior da OpenAI fez a denúncia mais explosiva da história da tecnologia: Sam Altman está a construir obsessivamente portais de IA gigantescos, concebidos para transportar alienígenas (ou demónios?) para o nosso mundo.
Em Junho deste ano, Mo Gawdat, um ex-executivo sénior da Google durante mais de uma década, que acompanhou o desenvolvimento da IA por dentro, afirmou que a tecnologia "é responsável pela maior parte das mortes nas guerras do Golfo e da Ucrânia."
Em Julho, um grupo de investigadores de inteligência artificial dos EUA e da China apelaram à cooperação global neste sector tecnológico, temendo que o seu desenvolvimento descontrolado possa levar a uma catástrofe inimaginável.
E não é segredo nenhum que muitos dos magos e dos proponentes das tecnologias de inteligência artificial não encontram qualquer problema na possibilidade da tecnologia exterminar a espécie humana, considerando-a um mero trampolim em direcção a formas de vida superiores.
Ainda assim, e este será talvez o dado que é mais assustador neste texto, muitos dos comentários que os utilizadores do X deixaram na postagem de Jacob Coxon são surpreendentemente hostis ou exemplos de um alarmante estado de negação.
Há quem desvalorize a ameaça de forma lapidar (e imbecil) porque vive nos anos 80 do século XX e acha que a IA só seria ameaçadora se tomasse a forma de Arnold Schwarzenegger:
Im so sick of these corny posts about the extinction of humanity from AI. Lol. Who is the physical actuator there? Does AI just magically become a physical entity, able to survive on organic material? Give me a break....
— Colton Manfre, OMS-IV (@ColtManfre) September 9, 2026
If AI could kill us all, stopping development isn't necessarily the safer choice.
If these systems really are as powerful as this thread argues, then we need more people building them, testing them, and figuring out how to control them. You don't reduce risk by refusing to… — Andy Lee (@andyleecx) September 9, 2026
Believing AI is anything but a highly sophisticated tool is stupid.
AI is not sentient; it does not have agency, and probably never will. What you see as intelligence is code designed to learn tasks and information and output the probalistic outcome the user asks for. Nothing… pic.twitter.com/52hjI3eB9x — FYAZ (@OgFyaz) September 9, 2026
Toda esta gente faz lembrar os entusiastas da pandemia, que usavam máscara quando conduziam, a sós, os seus automóveis, e se sujeitaram três ou quatro vezes a uma terapia genética experimental como quem vai à igreja em busca de redenção.
Mais para mais, dá-me a sensação que vão ser os primeiro a entrar em pânico, quando perceberem finalmente e tarde demais, que, no melhor cenário, foram feitos párias de um dia para o outro, por uma entidade cuja natureza e actividade não conseguem sequer entender.

Os Estados Unidos ameaçaram não apoiar a soberania do Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas se Andy Burnham não se comprometer com um aumento das despesas com a defesa. Mas esse comprometimento parece difícil de se concretizar.
Alice Weidel becomes the first leader in the world who is anti-immigration but has an immigrant wife, is anti-LGBTQ+ but is a lesbian herself, opposes LGBT adoption but has adopted two children, and is a hardcore German nationalist but lives in Switzerland pic.twitter.com/vv67tpy62c
— Global UPDATES (@GlobalUpdates24) September 7, 2026
NONE of this will happen.
— Rosie's Ballroom Psyop (@DarnelSugarfoo) September 7, 2026
What will happen is her first foreign visit will be to Israel.
Book it. https://t.co/dEIedXQKbM
"And then I'm going to bomb Iran, fund a genocide in Gaza, and ramp up Nuclear threats with Russia", ....
— Jimmy Dore (@jimmy_dore) September 8, 2026
thats how this goes right? https://t.co/M8WHuPt6d1
The GTA 6 pre-order process has gotten significantly more complicated.
— Forbidden HQ 🐇 (@WearForbidden) September 7, 2026
Forbidden Studios presents:
GAME SLOBS pic.twitter.com/WfItcAyVh8
é só esperar que dê um passo em frente.
Os dois alexandres do costume discutem a estrondosa vitória do AfD - com 44% dos votos, e a estrondosa derrota da CDU de Friedrich Merz - com apenas 17% dos votos, nas eleições estaduais de Saxónia-Anhalt. Apesar de não atingir a maioria absoluta necessária para um governo estadual viável, os partidos do regime estão agora numa situação periclitante, porque se no processo de formação do governo regional o "muro sanitário" anti-populista se desmoronar neste estado alemão, o mesmo pode muito bem acontecer por toda a nação.
Vivem-se momentos decisivos para o futuro da Alemanha e da Europa, em Saxónia-Anhalt.
Num infeliz episódio do podcast do Joe Rogan, o convidado Daniel Everett conta a história de se ter embrenhado na selva amazónica com o intuito de, como missionário, converter as tribos que por lá encontrasse. Uma delas, os Pirahã, que ainda hoje vivem como o Homo Erectus vivia, levaram-no a perder a sua fé, porque foi confrontado com o cepticismo dos indígenas que eram incapazes de acreditar na existência de alguém que nunca conheceram, ou que os seus imediatos ascendentes nunca tenham conhecido. O missionário achou o argumento de tal forma fascinante e convincente que perdeu também ele a sua fé (que já não devia ser assim tão forte de princípio, como ele aliás admite).
New: Joe Rogan was visibly intrigued when former Christian Daniel Everett reveals he spent years in the Amazon trying to convert the Pirahã tribe to Christianity, but their questions about Jesus ended up turning him into an ATHEIST:
— Fan Commentary: Joe Rogan Recaps (@JoeRoganRecaps) August 27, 2026
“You Don’t Know Anyone Who’s Ever Seen Him?”… pic.twitter.com/VLT39vWJGo
A parvoíce imensa disto não tem medida. Daniel Everett terá também, seguindo a mesma lógica, que desacreditar a existência de Zaratustra, Confúcio, Platão, Buda, Alexandre, Júlio César, Carlos Magno, Henrique VIII, o Papa Bórgia, Immanuel Kant, Napoleão e assim sucessivamente até que o seu bisavô tenha conhecido pessoalmente, digamos, Harry S. Truman. Para todos os efeitos o primeiro estadista da história da humanidade foi Harry S. Truman porque Everett Sénior entrou uma vez, em 1906, na sucursal do Bank of Commnerce de Kansas City, onde o futuro presidente dos EUA trabalhava como bancário.
É espantoso.
A moral desta história pretende ser a do missionário que queria converter os selvagens sendo que acabou por ser convertido por eles. Mas a verdadeira lição que podemos retirar da rábula é outra bem diferente: uma sociedade que não saiba transmitir de forma consistente o seu legado cultural e o seu património epistemológico através das eras viverá para sempre como os Pirahã, na idade da pedra.
Carl Benjamin, que nem sequer é crente, e que ficou tão surpreendido como eu perante a imbecil desfaçatez do ex-missionário, lavra aqui a sua desmontagem da fábula equívoca que Rogan decidiu em má hora oferecer à sua gigantesca audiência.
49 anos depois do sucedido, o youtuber Jesse Michels encontrou Johnson e reuniu as duas testemunhas do incidente de Ellsworth, que se corroboram mutuamente no documento vídeo que deixo em baixo e que resultou desse encontro, publicado ontem para de imediato incendiar a web e deixar em polvorosa a comunidade da ufologia.
Apesar de creditar o seu incansável esforço investigativo, devo dizer que não confio totalmente em Michels, que antes de ter criado o seu muito bem sucedido e tecnicamente exemplar canal dedicado ao fenómeno OVNI trabalhava em Wall Street para um patrão chamado... Peter Thiel. E o facto de ter sujeitado Woods e Johnson a sessões de regressão hipnótica não ajuda muito à credibilidade do documentário, paradoxalmente, porque ninguém na verdade percebe bem o que acontece à mente humana sob hipnose, e porque a iniciativa faz alguma comichão ética, principalmente considerando o perfil de Michael Johnson, que me parece um homem algo vulnerável, sendo claro, na minha opinião leiga, que não terá sobrevivido incólume ao encontro imediato de terceiro grau que reporta, apesar das décadas que entretanto correram sobre o evento.
Além do mais, e como sempre tenho feito nos últimos anos quando escrevo sobre este assunto, há que digerir toda a narrativa dos "extraterrestres" e da "revelação" com vários e gordos grãos de sal. Continuo convencido que há aqui manipulação de massas e desinformação em quantidades industriais, apesar de reconhecer que o fenómeno não pode ser ignorado, dada a escala de testemunhos e documentos.
Advertências à parte, acho ainda assim que este é um daqueles momentos com peso mediático e até ontológico, e que justifica a partilha, porque as testemunhas parecem-me credíveis e genuínas quanto à experiência traumática que relatam, e que eu classificaria no âmbito do sobrenatural.
E o bárbaro tratamento a que foram submetidos pelas autoridades, depois da experiência já de si deveras complicada, só adensa o mistério e as suspeitas sobre as entidades paralelas que tomam conta deste tipo de ocorrências. Porque de cada vez que estes relatos vêm a público, fica mais e mais claro que há uma indústria, um clube, uma seita, uma corporação - não sei o que lhe chamar - que presta o complexo suporte logístico, científico, militar e de recursos humanos necessário ao encobrimento de eventos desta natureza e consequente processamento das testemunhas, que muitas vezes lembra os métodos de controlo mental desenvolvidos pela CIA, como o infame MK Ultra.
O trabalho de Michels, que é aqui muito bem ilustrado por AI, é também pertinente quando somado aos muitos casos amplamente estudados e verificados de inexplicável fenomenologia que ocorreram em silos de armas nucleares, por todo o mundo, e desde que se iniciou a implementação deste tipo de armamento apocalíptico.
Por muito desconfiado que seja da actual narrativa OVNI, e sejam quais forem as intenções de Jesse Michels, não posso deixar de valorizar este documentário, que para além de tudo o mais está muito bem feitinho.
Uma última nota: os segmentos relacionados com a sessão de hipnose de Michael Johnson são algo perturbadores e talvez desaconselháveis a pessoas mais susceptíveis.
Porque é as elites ocidentais desprezam a civilização ocidental?
A oikofobia - essa estranha tendência para criticar ou rejeitar o próprio lar, sociedade ou nação, enquanto se elogiam pátrias alheias, muitas vezes alienígenas até do ponto de vista cultural -, é historicamente recorrente, acompanha e motoriza o declínio das civilizações e triunfou nas universidades, nas redacções e nas estruturas corporativas das sociedades contemporâneas, deste lado do mundo.
A patologia, que Joomi Kim diagnostica neste interessante vídeo-ensaio, conduz até a caricatas sintomatologias, como a de políticos eleitoralmente bem sucedidos, como Barak Obama, incorporarem no seu discurso público um constante desdém pelos próprios eleitores e pelas nações que foram por eles incumbidos de dirigir.
Do legado helénico a Voltaire, da Roma imperial à América liberal, percebemos que a doença é endémica, e que, de forma aparentemente contra-intuitiva, é até resultado da prosperidade e da sofisticação das sociedades onde se propaga.
Alimento para os neurónios.
House Speaker Mike Johnson says he doesn’t understand Thomas Massie’s 'obsession' with bringing justice to the children Epstein sex trafficked.
— ThePatrioticBlonde™🇺🇸 (@ImBreckWorsham) September 6, 2026
We are a broken nation. pic.twitter.com/AvL5CpuYi2
O futuro da Europa! À direita, Alice Weidel, líder da AfD.
— DrG (@DrGPT1) September 6, 2026
À esquerda, a sua esposa, Sarah Bossard, nascida no Sri Lanka. Têm dois filhos adoráveis.
Rir, para não chorar. pic.twitter.com/fF5oCSzf23
Eia p'los filhos da puta!
Eia p'la rapariga que assumidamente matou os filhos infantes - três ou quatro -,
bravo! Eia p'los nove em dez jurados que a acharam inocente!
Saúdo-vos todas, lésbicas feministas, que a serem violadas por afegãos
finalmente percebem as vantagens de foder um homem!
Festejo com histérica convicção o facto dos bretões votarem nos gajos
que lhes estupram as filhas, o facto dos americanos votarem nos gajos
que lhes comem os filhos,
o facto dos portugueses votarem, década após década, nos gajos
que lhes roubam o que sobra, depois de pagarem o IRS!
Parabéns aos vacinados, aos impotentes e às cabeças de gado!
E vivam vós, os senhores do universo, com a pila tão pequena
que querem viver p'ra sempre! Urra!
Eia p'lo Peter Thiel, que insiste em tentar convencer-nos
que não vendeu a alma ao diabo!
Eia p'lo Elon Musk, que vai a Marte no dia de S. Nunca!
Que tem microprocessadores para enfiar no teu cerebelo,
foguetões que sobem e descem no mercado bolsista
e carros eléctricos que se conduzem mais ou menos sozinhos
e tudo!
Eia p'lo barão Fink, que não satisfeito com o ofício de cinzas da BlackRock,
tomou conta do WEF!
Urra por Donald Trump, guardião de pedófilos, amante de putas
e bombardeiro de escolas, que decidiu ser máximo escravo de Telavive;
e urra por Netanyahu, experimentado matador de criancinhas!
Saúdo-te Mark Rutte, assassino do teu próprio carácter, bissexual da diplomacia,
civil de tanto quereres a guerra, militar de conferências de imprensa, viva!
Celebro-te von der Leyen de seres tão feia, vingança distópica sobre a genética,
pronto a vestir da democracia, tragédia isabelina na tua fome de poder!
Celebro-te Rei Carlos, enquanto presides à distopia
de dezenas de milhar de condenados por crimes do pensamento!
Rebenta fogo de artifício no meu peito ao ouvir-te, Friedrich,
chanceler do poder militar que não tens, general da queda industrial da Alemanha,
Bismark ao contrário!
Canonizo-te, Macron, santo de levar estaladas, napoleão e anão ao mesmo tempo,
sem úlceras!
Elogio-te Sánchez p'lo desprezo que dedicas aos teus compatriotas!
Eia p'los partidos populistas que querem ser do estabelecimento
quando forem grandes!
Eia p'lo drone russo que para ser russo teve que apresentar passaporte!
Urra p'las falsas bandeiras a torto e a direito e as pessoas a acreditarem nelas!
Que sejam deuses aqueles que determinam o fim da humanidade
para serem deuses! Que sejam profetas os filósofos do fim!
Que sejam inundadas de sangue as trincheiras do Donbass,
para glória dos netos dos ministros da defesa europeus!
Que sejam santificados os engenheiros de Silicon Valley,
os financeiros de Wall Street, por tanto teimarem no comércio com Satanás!
Eia p'los filhos da puta todos, Eia!
Urra p'lo fim do mundo, em cuecas.
Dada a fonte em causa, acredito que Vladimir Putin proferiu esta frase, de facto.
E não gosto nada daquilo que ele diz, aqui. Mas mesmo nada.
Tanto Kushner como Witkoff são inimigos de qualquer civilização que se diga cristã. São sionistas da pior espécie, campeões do genocídio na Palestina, especuladores imobiliários sobre hectares preenchidos por cadáveres, primeiros focinhos da selvática diplomacia e escatológica ideologia do Regime Epstein.
Representam tudo o que qualquer pessoa decente, na minha opinião, tem que rejeitar de forma liminar e até, infelizmente, tem que temer.
Steve Witkoff é uma espécie de novo rico tornado embaixador, apenas por ter o talento, difícil - admito -, de obedecer cegamente a Donald Trump. É uma espécie de Adolf Eichmann. Faz o que lhe mandam, ganha um fortuna no processo e arrepende-se apenas das áreas que têm que ser preenchidas com valas comuns ao invés de empreendimentos de luxo. Hannah Arendt podia escrever tratados sobre o assunto, se perpetua fosse a sua pena.
Mas Jared Kushner é ainda pior. O genro de Trump é uma variação gananciosa de Peter Thiel, se possível. Para este desgraçado, vale tudo em função do que pode ganhar com isso e na expectativa colaboracionista da erecção do Terceiro Templo, que sonha levantar com astronómicas valias financeiras, para hecatombe global. Está a tentar construir um bunker na Albânia para sobreviver à sua própria actividade apocalíptica (como Thiel na Argentina). Não há na curvatura da Terra figurinha mais sinistra, mesmo considerando a abunbdante concorrência.
O facto de Putin se referir a estes luciferinos agentes desta forma cordata faz com que sobre o meu fadista fatalismo (desculpem a redundância) caia nova e enorme desilusão.
Se o presidente russo, última representação de um líder cristão e aparentemente desalinhado dos podres instituídos no Ocidente, "recebe com prazer" os enviados do diabo, então tenho necessariamente que equacionar a Rússia como um país que não pertence à minha liga, se é que algum cabe no meu estreito radicalismo (acho sinceramente que nenhum cabe).
E não me venham com a conversa da moderação e que Putin está à procura de uma solução pacífica para a sanguinolenta guerra que iniciou (embora eu ache que o primeiro responsável pela carnificina é a NATO e a máquina distópica do Ocidente). Não me venham com o bom senso e o 'sentido de Estado' e o xadrez político ou diplomático.
Receber Kushner e Witkoff como diplomatas sérios, carregados de boas intenções e combatendo pela paz no mundo, é jogar damas sem quadrícula.
Arrisco que não há nenhum cidadão russo 'comum', de boa fé e com 'sentido de Estado' que dê as boas vindas a estes dois crápulas, que são literalmente inimigos da Mãe Rússia e de tudo o que historicamente significa e de tudo o que representa hoje e agora.
Não, não e não. Se já tinha ficado espantado com o facto do Kremlin (que não Putin, ele mesmo) ter recebido o rato da CIA aqui há uns dias atrás, que se gaba publicamente de matar russos com enorme velocidade e que se deslocou com aparato cinematográfico ao outro lado do hemisfério carregado de ameaças nem por isso subliminares, fico realmente revoltado com estas declarações do homem que lidera a última potência da cristandade.
Sei bem que os poderes instituídos em Moscovo, principalmente aqueles ligados à alta finança, são tão globalistas como em Berlim, Londres ou Paris. Nunca achei que as elites russas fossem de alguma forma menos corruptas do que as europeias. Mas sempre tive a assumida expectativa que o inquilino de Novo-Ogaryovo pensasse diferente, e tenho apostado muito da credibilidade do Contra nessa crença, se calhar ingénua. Pelos vistos alucinada.
Porque das duas uma: ou Putin é mais estúpido do que parece ou menos cristão do que jura ser.
Num caso como noutro, o senhor está a dar-me razões para, a partir daqui, começar a ser bem mais calculista sobre as forças que estão por trás dele, ou que ele mesmo motoriza, do que tenho sido até aqui.
Isso é certo.